Sabe-se que a leitura de mundo precede a leitura da palavra como bem disse Paulo Freire. Isso pode ser confirmado ao acompanhar a infância de uma criança. Os primeiros contatos de comunicação são realizados por meio dos símbolos, gestos, cores, sons, entre outros. Trata-se de uma fase crucial para o ser humano no que diz respeito aos processos que envolvem a comunicação. É o momento em que começarão a ser moldadas as capacidades de leitor e interpretador.
Ao longo da vida, o indivíduo recebe cargas de informações infinitas, que influenciarão diretamente na maneira como essa pessoa se manifestará diante de uma informação, por exemplo. A educação dos pais, a educação que recebe na escola, a posição social, o contexto social, entre outros fatores, contribuirão diretamente para a formação crítica desse potencial “leitor de mundo”.
O autor do livro Produção textual, análise de gêneros e compreensão, Luiz Antônio Marcuschi, analisa extensamente o processo de comunicação e tudo que o envolve. Nesse contexto, ele ressalta que “o texto não é um puro produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo e pode ser visto como um evento comunicativo sempre emergente”, ou seja, diferentes leitores produzirão diferentes visões sobre uma mesma informação. E isso se dá exatamente pelo contexto em que esse leitor esta inserido.
No processo de interpretação e de leitura, propriamente ditos, Marcuschi defende que a noção de compreensão não é uma simples decodificação das informações, como o que já é ensinado, inclusive, no processo didático-educacional. Segundo o autor, “a compreensão é um processo criador, ativo e construtivo que vai além da informação estritamente textual”.
Levando-se em consideração que a formação sociocultural do ser humano inicia-se na infância e é um processo constante, essa formação terá continuidade na escola, na universidade e, em sentido geral, ao longo da vida. Diante disso, nota-se a importância da educação que os pais transmitem aos filhos. Há que se ressaltar, contudo, nesse contexto, o papel do professor como mediador, mas não como o responsável sozinho pelos caminhos que esse “leitor de mundo” trilhará. O professor participa apenas de uma fase e não pode ser o responsável por toda a formação psicossocial desse leitor.
Referências:
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler. 49ª Edição, São Paulo, Cortez, 2008.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 1ª Edição, São Paulo, Parábola Editorial, 2008.
Nenhum comentário:
Postar um comentário