segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Resenha: entenda esse gênero textual

Esse é, provavelmente, o tipo de resumo que um aluno mais terá de fazer a pedido dos professores ao longo da vida estudantil. Sim, resenha é um tipo de resumo, por isso há muita confusão. Então vamos esclarecer.

O resumo é uma apresentação abreviada de um texto ou conteúdo de livro, peça teatral, etc. Constitui, então, um gênero textual cujo texto refere-se a outro o texto, apresentando o conteúdo da obra resumida de forma concisa e coerente, mantendo-se o tipo textual do texto principal. Ou seja, não é um texto feito com as próprias palavras, mas um texto que utilizará informações do próprio texto que se pretende resumir.

A resenha também é um tipo de resumo, porém, não é meramente informativo, mas também crítico. Nesse caso, pede-se um elemento importante: a interpretação de texto. Além disso, é necessário ter habilidade de extrair do texto as ideias principais que irão compor o resumo.

É importante lembrar que para fazer um resumo ou uma resenha é indispensável que seja feita uma boa leitura. A leitura pode ser feita em duas etapas: primeira, ler para ter uma visão geral sobre a obra; segunda, ler marcando os tópicos frasais ou ideias de maior relevância.

Basicamente, a resenha deve conter os seguintes elementos:

·         o título (normalmente, o próprio título da obra);

·         a referência bibliográfica da obra;

·         alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada ;

·         o resumo, ou síntese do conteúdo;

·         a avaliação crítica.

Essa é uma explicação resumida, mas caracteriza objetivamente os tipos textuais resumo e resenha. Não é tão difícil escrever uma resenha, mas requer prática, dedicação e, claro, muita leitura. Leitura de modo geral. Mas esse é um assunto para outro tema bastante amplo: Leitura.

Obs.: o próximo texto que postarei será uma resenha de um texto. Não vou postar junto com este artigo para que esta leitura não fique muito cansativa.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A formação de um “leitor de mundo”

Sabe-se que a leitura de mundo precede a leitura da palavra como bem disse Paulo Freire. Isso pode ser confirmado ao acompanhar a infância de uma criança. Os primeiros contatos de comunicação são realizados por meio dos símbolos, gestos, cores, sons, entre outros. Trata-se de uma fase crucial para o ser humano no que diz respeito aos processos que envolvem a comunicação. É o momento em que começarão a ser moldadas as capacidades de leitor e interpretador.

Ao longo da vida, o indivíduo recebe cargas de informações infinitas, que influenciarão diretamente na maneira como essa pessoa se manifestará diante de uma informação, por exemplo. A educação dos pais, a educação que recebe na escola, a posição social, o contexto social, entre outros fatores, contribuirão diretamente para a formação crítica desse potencial “leitor de mundo”.

O autor do livro Produção textual, análise de gêneros e compreensão, Luiz Antônio Marcuschi, analisa extensamente o processo de comunicação e tudo que o envolve. Nesse contexto, ele ressalta que “o texto não é um puro produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo e pode ser visto como um evento comunicativo sempre emergente”, ou seja, diferentes leitores produzirão diferentes visões sobre uma mesma informação. E isso se dá exatamente pelo contexto em que esse leitor esta inserido.
 
No processo de interpretação e de leitura, propriamente ditos, Marcuschi defende que a noção de compreensão não é uma simples decodificação das informações, como o que já é ensinado, inclusive, no processo didático-educacional. Segundo o autor, “a compreensão é um processo criador, ativo e construtivo que vai além da informação estritamente textual”.

Levando-se em consideração que a formação sociocultural do ser humano inicia-se na infância e é um processo constante, essa formação terá continuidade na escola, na universidade e, em sentido geral, ao longo da vida. Diante disso, nota-se a importância da educação que os pais transmitem aos filhos. Há que se ressaltar, contudo, nesse contexto, o papel do professor como mediador, mas não como o responsável sozinho pelos caminhos que esse “leitor de mundo” trilhará. O professor participa apenas de uma fase e não pode ser o responsável por toda a formação psicossocial desse leitor.


Referências:
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler. 49ª Edição, São Paulo, Cortez, 2008.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 1ª Edição, São Paulo, Parábola Editorial, 2008.