quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Jornalistas que cobrem meio ambiente vivem o que pregam?

O texto que segue foi publicado no site comunique-se.com.br e é da jornalista Izabela Vasconcelos. Achei muito interessante e resolvi publicar aqui neste espaço. Boa leitura!


Será que aquele jornalista que escreve sobre meio ambiente recicla seu lixo, é adepto de caronas solidárias, economiza água, entre outras ações ecologicamente responsáveis? Para o jornalista André Trigueiro, da Globo News e CBN, não há como não ser consciente com o conhecimento adquirido. Apesar disso, o jornalista relembra que nem tudo é fácil de ser seguido.

“É muito difícil incorporar tudo. Você sai de uma conferência do clima e acaba entrando em um carro, em em um engarrafamento. Mas, no geral, os jornalistas dessa área têm cuidados. É algo inerente à profissão”, diz Trigueiro.
O editor-chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News, recicla resíduos, transforma material orgânico em adubo e também compra apenas móveis com madeira certificada. “As escolhas que eu faço são todas pensadas e planejadas. Penso no impacto que pode gerar no mundo. Mas não separo minha vida profissional da vida pessoal. É tudo a mesma coisa”, afirma.

A jornalista Cristina Kirsner, diretora da revista Viverde, concorda com Trigueiro. “Todo mundo que faz uma matéria aprende alguma coisa. É uma questão de consciência, é impossível continuar com as mesmas práticas”.

Em sua casa, Cristina tem uma cisterna que recolhe água da chuva, uma minhocaria, que transforma lixo orgânico em adubo, da mesma forma que Trigueiro, e faz coleta seletiva. “Não adianta a gente falar para as pessoas fazerem algo e nós mesmos não fazermos”, diz a jornalista, que é idealizadora da revista ambiental distribuída bimestralmente para professores e alunos de escolas públicas de São Paulo. O projeto é mantido por voluntários, anunciantes e patrocinadores.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Modelo de resenha


A LEITURA NO BRASIL: SUA HISTÓRIA E SUAS INSTITUIÇÕES

Regina Zilberman

                                                                                                                          
Trata-se de uma abordagem sobre a história da leitura no Brasil e as instituições encarregadas de patrociná-la, entre elas a escola e a literatura. A autora destaca aspectos sociais e históricos que estão ligados à leitura e que podem transformar essa a partir de determinados prismas. O artigo é dividido em dois tópicos que irão direcionar o leitor ordenada e criticamente no que se refere aos fatos históricos e aspectos ligados ao ato de ler.

Regina Zilberman deixa claro a importância da escola no que concerne à aprendizagem, valorização e consolidação da leitura, ideia que a autora reforça citando autores como Roque Callage, Jorge Amado, entre outros, também de relevante importância para o assunto tratado no artigo, como Roger Chartier, Robert Darnton e outros.

Uma das maiores especialistas em literatura infanto-juvenil, Regina Zilberman, conceituada escritora e professora brasileira, licenciou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fez doutorado em Romanística pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e pós-doutorado em Rhode Island, nos Estados Unidos. Zilberman possui mais de 20 livros publicados e premiados na área pedagógica e educacional. (Site Wikipedia)

Em A Leitura no Brasil, Zilberman mostra que a história da leitura avança para além do texto, pois trata-se de um contexto em que coexistem uma instituição, a escola; uma técnica, a escrita; e uma tecnologia, onde há a fixação da escrita em um meio permanente, por exemplo, o papel. Em função dos avanços tecnológicos, têm-se hoje meios diversos de fixação da escrita que, segundo a autora, facilitam e expandem o acesso à leitura.

Ainda nesse contexto desenvolvimentista, Zilberman não deixa de mencionar o fator capitalista. Nesse sentido, a leitura consolidou-se como prática e critério para participação do indivíduo na sociedade. Em contrapartida, esse fato transformou-se em um “divisor de águas”. Como bem ressalta a autora: “A leitura passou a distinguir (o homem alfabetizado e culto do analfabeto e ignorante), mas afastou o homem comum da cultura oral; nesse sentido, cooperou para acentuar a clivagem social”.

As políticas de leitura também são citadas no artigo. Mas aqui há uma crítica: a leitura como negócio. Existe uma indústria da leitura que circunda o leitor, descrita de forma simplificada, mas que leva o indivíduo a parar e pensar sobre o contexto leitor e sociedade.

No segundo tópico, ao adentrar em aspectos literários ligados à leitura, a autora relaciona a história da leitura, a história da literatura e a história da educação, ressaltando a importância da escola nesse contexto. “A escola constitui o espaço por excelência de aprendizagem, valorização e consolidação da leitura, cooperando com o processo de legitimação da literatura e da escrita no mundo capitalista.”

Com críticas incisivas, Regina Zilberman finaliza o artigo colocando em questão o sistema educacional brasileiro. Em termos gerais, a exposição de Zilberman proporciona ao leitor uma profunda reflexão sobre leitura, não como fato isolado, mas como ato que depende de todo um sistema capitalista-político-educacional, que por vezes pode prejudicar o processo de leitura, tendo em vista que do outro lado desse “sistema” existe um sujeito leitor com características únicas e que precisa ser levado em consideração.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Resenha: entenda esse gênero textual

Esse é, provavelmente, o tipo de resumo que um aluno mais terá de fazer a pedido dos professores ao longo da vida estudantil. Sim, resenha é um tipo de resumo, por isso há muita confusão. Então vamos esclarecer.

O resumo é uma apresentação abreviada de um texto ou conteúdo de livro, peça teatral, etc. Constitui, então, um gênero textual cujo texto refere-se a outro o texto, apresentando o conteúdo da obra resumida de forma concisa e coerente, mantendo-se o tipo textual do texto principal. Ou seja, não é um texto feito com as próprias palavras, mas um texto que utilizará informações do próprio texto que se pretende resumir.

A resenha também é um tipo de resumo, porém, não é meramente informativo, mas também crítico. Nesse caso, pede-se um elemento importante: a interpretação de texto. Além disso, é necessário ter habilidade de extrair do texto as ideias principais que irão compor o resumo.

É importante lembrar que para fazer um resumo ou uma resenha é indispensável que seja feita uma boa leitura. A leitura pode ser feita em duas etapas: primeira, ler para ter uma visão geral sobre a obra; segunda, ler marcando os tópicos frasais ou ideias de maior relevância.

Basicamente, a resenha deve conter os seguintes elementos:

·         o título (normalmente, o próprio título da obra);

·         a referência bibliográfica da obra;

·         alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada ;

·         o resumo, ou síntese do conteúdo;

·         a avaliação crítica.

Essa é uma explicação resumida, mas caracteriza objetivamente os tipos textuais resumo e resenha. Não é tão difícil escrever uma resenha, mas requer prática, dedicação e, claro, muita leitura. Leitura de modo geral. Mas esse é um assunto para outro tema bastante amplo: Leitura.

Obs.: o próximo texto que postarei será uma resenha de um texto. Não vou postar junto com este artigo para que esta leitura não fique muito cansativa.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A formação de um “leitor de mundo”

Sabe-se que a leitura de mundo precede a leitura da palavra como bem disse Paulo Freire. Isso pode ser confirmado ao acompanhar a infância de uma criança. Os primeiros contatos de comunicação são realizados por meio dos símbolos, gestos, cores, sons, entre outros. Trata-se de uma fase crucial para o ser humano no que diz respeito aos processos que envolvem a comunicação. É o momento em que começarão a ser moldadas as capacidades de leitor e interpretador.

Ao longo da vida, o indivíduo recebe cargas de informações infinitas, que influenciarão diretamente na maneira como essa pessoa se manifestará diante de uma informação, por exemplo. A educação dos pais, a educação que recebe na escola, a posição social, o contexto social, entre outros fatores, contribuirão diretamente para a formação crítica desse potencial “leitor de mundo”.

O autor do livro Produção textual, análise de gêneros e compreensão, Luiz Antônio Marcuschi, analisa extensamente o processo de comunicação e tudo que o envolve. Nesse contexto, ele ressalta que “o texto não é um puro produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo e pode ser visto como um evento comunicativo sempre emergente”, ou seja, diferentes leitores produzirão diferentes visões sobre uma mesma informação. E isso se dá exatamente pelo contexto em que esse leitor esta inserido.
 
No processo de interpretação e de leitura, propriamente ditos, Marcuschi defende que a noção de compreensão não é uma simples decodificação das informações, como o que já é ensinado, inclusive, no processo didático-educacional. Segundo o autor, “a compreensão é um processo criador, ativo e construtivo que vai além da informação estritamente textual”.

Levando-se em consideração que a formação sociocultural do ser humano inicia-se na infância e é um processo constante, essa formação terá continuidade na escola, na universidade e, em sentido geral, ao longo da vida. Diante disso, nota-se a importância da educação que os pais transmitem aos filhos. Há que se ressaltar, contudo, nesse contexto, o papel do professor como mediador, mas não como o responsável sozinho pelos caminhos que esse “leitor de mundo” trilhará. O professor participa apenas de uma fase e não pode ser o responsável por toda a formação psicossocial desse leitor.


Referências:
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler. 49ª Edição, São Paulo, Cortez, 2008.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 1ª Edição, São Paulo, Parábola Editorial, 2008.