A LEITURA NO BRASIL: SUA HISTÓRIA E SUAS INSTITUIÇÕES
Regina Zilberman
Trata-se de uma abordagem sobre a história da leitura no Brasil e as instituições encarregadas de patrociná-la, entre elas a escola e a literatura. A autora destaca aspectos sociais e históricos que estão ligados à leitura e que podem transformar essa a partir de determinados prismas. O artigo é dividido em dois tópicos que irão direcionar o leitor ordenada e criticamente no que se refere aos fatos históricos e aspectos ligados ao ato de ler.
Regina Zilberman deixa claro a importância da escola no que concerne à aprendizagem, valorização e consolidação da leitura, ideia que a autora reforça citando autores como Roque Callage, Jorge Amado, entre outros, também de relevante importância para o assunto tratado no artigo, como Roger Chartier, Robert Darnton e outros.
Uma das maiores especialistas em literatura infanto-juvenil, Regina Zilberman, conceituada escritora e professora brasileira, licenciou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fez doutorado em Romanística pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e pós-doutorado em Rhode Island, nos Estados Unidos. Zilberman possui mais de 20 livros publicados e premiados na área pedagógica e educacional. (Site Wikipedia)
Em A Leitura no Brasil, Zilberman mostra que a história da leitura avança para além do texto, pois trata-se de um contexto em que coexistem uma instituição, a escola; uma técnica, a escrita; e uma tecnologia, onde há a fixação da escrita em um meio permanente, por exemplo, o papel. Em função dos avanços tecnológicos, têm-se hoje meios diversos de fixação da escrita que, segundo a autora, facilitam e expandem o acesso à leitura.
Ainda nesse contexto desenvolvimentista, Zilberman não deixa de mencionar o fator capitalista. Nesse sentido, a leitura consolidou-se como prática e critério para participação do indivíduo na sociedade. Em contrapartida, esse fato transformou-se em um “divisor de águas”. Como bem ressalta a autora: “A leitura passou a distinguir (o homem alfabetizado e culto do analfabeto e ignorante), mas afastou o homem comum da cultura oral; nesse sentido, cooperou para acentuar a clivagem social”.
As políticas de leitura também são citadas no artigo. Mas aqui há uma crítica: a leitura como negócio. Existe uma indústria da leitura que circunda o leitor, descrita de forma simplificada, mas que leva o indivíduo a parar e pensar sobre o contexto leitor e sociedade.
No segundo tópico, ao adentrar em aspectos literários ligados à leitura, a autora relaciona a história da leitura, a história da literatura e a história da educação, ressaltando a importância da escola nesse contexto. “A escola constitui o espaço por excelência de aprendizagem, valorização e consolidação da leitura, cooperando com o processo de legitimação da literatura e da escrita no mundo capitalista.”
Com críticas incisivas, Regina Zilberman finaliza o artigo colocando em questão o sistema educacional brasileiro. Em termos gerais, a exposição de Zilberman proporciona ao leitor uma profunda reflexão sobre leitura, não como fato isolado, mas como ato que depende de todo um sistema capitalista-político-educacional, que por vezes pode prejudicar o processo de leitura, tendo em vista que do outro lado desse “sistema” existe um sujeito leitor com características únicas e que precisa ser levado em consideração.